terça-feira, 6 de março de 2012

Entrevista com Cristine Dias - Resultados expressivos dentro e fora do Brasil

Entrevista com Cristine Dias – Uma das Mais Conceituadas Treinadoras de Schutzhund da América Latina Com resultados expressivos dentro e fora do Brasil

(Ela escolheu um cão, treinou, graduou em BH - IPO I - IPO II - IPO III, FOI CAMPEÃ BRASILEIRA, SE QUALIFICOU PARA O MUNDIAL, E REPRESENTOU MUITO BEM O BRASIL LÁ FORA - Tudo isso com o seu 1º cão de esporte)

Apresentação Pessoal


Antes de mais nada, obrigada pelo cabeçalho. Fico muito lisonjeada com a explicação após o meu nome!


· Quando começou a praticar esportes com os cães?


Efetivamente treinando, em 2006, quando comecei a treinar meu Luger (Neck do Sadonana), então com três meses. Mas comecei a me interessar e fazer cursos e seminários em 2002.


· Qual esporte com cães você pratica e quais seus reais interesses no esporte? Schutzhund. Meu real interesse é me divertir, a mim e a meu cão. Se não for divertido pra um de nós, não vale a pena. Conseguir uma boa apresentação também é uma meta, mas secundária.


· Qual a Raça Você utiliza e Por quê?


Meu Luger é pastor alemão, e agora estou com um novo cão da raça malinois, o Kodiak. Além de gostar de ambas as raças, é mais fácil encontrar bons exemplares dentro dessas raças, em virtude da quantidade de indivíduos selecionados pelo esporte. Por esta razão, são também as duas raças mais competitivas.


· Qual sua maior e melhor conquista nestes anos todos como esportista?


O Campeonato Brasileiro de Adestramento na categoria CT3 no ano de 2011 pelo Clube Brasileiro do Pastor Alemão, e a qualificação de muito bom com uma pontuação de 270 pontos no Mundial FCI também de 2011. Sonhos realizados!


Como se sente sabendo que seu primeiro cão de esporte foi representar o Brasil no Mundial?

Me sinto muito orgulhosa. De mim, do meu trabalho e do meu parceiro Luger, por ter se mostrado tão capaz. Acho que somos a primeira dupla estreante no país a chegar tão longe. Como não se orgulhar de um feito como esse? E não posso deixar de citar aqui todas as pessoas que me ajudaram a alcançar esse objetivo tão difícil e em tão pouco tempo: meus companheiros de treino (integrantes do RioIPO) que nunca pouparam esforços em me ajudar e acreditaram no meu trabalho. Sem um bom time, não chegamos a lugar nenhum, pois o IPO é, essencialmente, um esporte em equipe. E três agrecimentos especiais: na proteção, ao Leandro Salles, de uma competência ímpar. Sem ele, eu e Luger não teríamos ido parar em um Mundial. No faro, ao Jaques, que não poupou esforços em nos ajudar sempre que pedi. E ao grande Rogério Sandoval Silveira, primeira pessoa a me receber de braços abertos no esporte. Tenho muitas outras pessoas pra agradecer, mas prefiro parar de citar nomes, para não correr o risco de esquecer ninguém. AGRADEÇO A TODOS QUE ME AJUDARAM E QUE CONTINUAM ME AJUDANDO ATÉ HOJE. Sempre tive sorte em encontrar pessoas no meu caminho verdadeiramente dispostas a ajudar.


· Nos conte um pouco sobre representar o Brasil lá fora.


Representar o Brasil era um sonho, que nunca pensei em conseguir realizar com o meu primeiro cão treinado para schutzhund. Então, foi um sonho realizado ainda mais cedo do que qualquer expectativa que eu poderia ter. É cansativo, trabalha-se duro demais, o nervosismo parece que vai matar a gente, mas a recompensa no final é uma sensação indescritível. Dever cumprido, com gostinho de quero mais, e vontade de melhorar sempre, cada vez mais.


· Qual a sua crença com relação aos métodos de ensino?


Tenho duas crenças absolutas: não existe receita de bolo; e não acredito em métodos fechados. Tudo que funcione, e que seja JUSTO, é válido. Eu, no entanto, me identifico mais com os métodos, digamos, mais “emocionais”. Como não sou uma pessoa fria, e adoro me divertir com meus cães, me divirto mais assim, e tenho certeza que eles também.


· Qual foi o seminário que mais valeu a pena?

Huuuum, difícil escolher apenas um. Tirei coisas boas de todos os seminários que participei. Mas, já que é pra citar nomes, fico com os seminários da Mia Skogster e do Peter Scherk e Florian Knabl.


· Como você evoluiu como condutor e treinador?

Ouvindo, aprendendo, ouvindo, aprendendo, ouvindo, aprendendo... O segredo da evolução é NUNCA SE FECHAR. No momento em que achamos que sabemos tudo, e que não precisamos aprender mais nada com ninguém, começamos a trilhar o caminho inverso da evolução: a decadência.


· Qual a fase mais fácil em sua opinião? Por quê?

Na minha opinião, não existem fases fáceis. E se fosse fácil, eu não veria a mínima graça...rsrsrsrs! Fazer algo bem feito é sempre muito difícil.


· Qual a mais difícil? Por quê?

Como não existem fases fáceis, pelo menos pra mim, considero todas bem difíceis. No entanto, se for pra escolher algo mais difícil, acho que posso responder que acho o faro mais difícil. Tenho mais dificuldade na interação com o cachorro no faro, menos “feeling” pra ajudar com a guia durante os treinos, mais dúvidas em geral. E, na prova, é o cachorro, e só. Bate uma insegurança danada.


· Qual a relação entre o esporte e a criação?

Total. O esporte seleciona corretamente os impulsos necessários a um cão de trabalho, nas suas mais diversas modalidades. Claro que quem cria precisa ter olhos para enxergar, e conhecimento para entender o que está vendo.

· Como você escolhe um filhote?

Um misto de impulsos e atitude. Antes, eu dava muita importância ao impulso pura e simplesmente. Hoje, tento olhar mais o conjunto. Mas, resumindo, um bom filhote tem que ter bom impulso de comida (quanto mais alto, mais facilita o trabalho), impulso de caça, autoconfiança, espírito de luta, sociabilidade, e boa mordida, se já for possível ver, claro. Mas não tenho muita experiência na escolha de filhotes.

Como se sente tendo nas mãos um cão( kodiak) escolhido por atuais mestres do esporte - Mia e Peter?

Sinto uma enorme gratidão pelo gesto deles. Fico muito feliz que dois mestres mundiais do esporte tenham tido a consideração de ir lá escolher um filhote especialmente pra mim. Sinto também o peso maior da responsabilidade nos meus ombros, uma vez que tenho agora um cão que poderia estar tranquilamente na mão de campeões mundiais, sem dever em nada a um cão que eles mesmos escolheriam pra eles. Por outro lado, junto com a cobrança natural que me imponho agora, também vem a felicidade de saber que Peter Scherk e Mia Skogster acreditaram em mim, a ponto de escolher um filhote desse nível, e isso me deixa muito feliz. QUE VENHA O FUTURO! :)


· Qual seu ponto de vista da relação entre a educação do cão e confiança com o dono?

Com um manejo correto, consegue-se um cão educado e confiante no dono. Quando somos claros em nossas atitudes, ou seja, quando lidamos com o cachorro com absoluta clareza de sinais, e sendo, além de tudo, JUSTOS, conseguimos tudo ao mesmo tempo: sucesso nos treinos e um cão educado em casa. Não vejo incompatibilidade nenhuma entre as duas coisas.


· Como ou o quê você faz no dia a dia com seu cão?

Meus cães são meus companheiros. Passeiam comigo, vão à praia, dormem no meu quarto (Kodiak dorme na minha cama...rs!). Mas são ensinados, desde cedo, a ficar na caixa, no canil. Tento expor meus cães ao máximo de situações possível, fazendo com que eles não achem nada estranho ou esquisito no futuro. E os acostumo a viajar bastante, variando sempre os locais de treino.


· Como manter o equilíbrio entre a motivação e concentração?

Na minha opinião, a concentração faz parte da motivação. Temos que motivar o cão a querer se concentrar. De novo, não vejo incompatibilidade.


· Como você define um bom Cão para o esporte e sua relação com a mordida de boca cheia?

A mordida cheia e estável, mesmo que sob pressão, na minha opinião, mostra estabilidade de nervos. E a estabilidade de nervos é uma das características mais importantes pra um cão de trabalho. Claro que temos milhões de nuances quando um cão não tem a mordida mais estável do mundo, mas aí, teríamos que analisar caso a caso.


· Qual o conselho você pode dar aos jovens que estão iniciando no esporte?

Buscar conhecimento com quem realmente conhece, e aliar esse conhecimento ao trabalho em campo. Não desanimar com as dificuldades, seguir em frente e treinar muito duro. Acreditar. Os resultados vem. Schutzhund depende de conhecimento técnico e experiência prática, que só são adquiridos com o TEMPO. Portanto, mãos a massa, e divirtam-se.

· Como você acredita que será o futuro do esporte na America Latina?
Acho que o esporte tem uma tendência a crescer, e nossos treinadores estão evoluindo tecnicamente a olhos vistos. No entanto, algo muito sério pode atrapalhar essa evolução: brigas de ego, ignorância e politicagens cinófilas.


Obrigado Cristine pela entrevista - Que sua luz continue a brilhar...sempre!

Um comentário:

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